terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Rendeira

 Dar ao mar, 
o render da rendeira, 
sonhar meante a besteira, 
de tanto que aqui ficava, na beira.

Fingindo dormir, 
naufrágio sentir, 
descabelados encabelados, 
velhices do sorriso mostrado.

Em fúria se mostrar pálido,
 sentir o que é mostrado, 
quando em luz vingar, 
o que não é salvo.

Dar à vida o que se merece, 
enquanto não se esquece, 
minoria que enriquece, padece.

Aquela rede de dormir, 
pedir silencio ao sentir, 
tremer dedos sem pedir, 
ventania vem sentir.

Tanto quanto ao semear, 
nem em panos vem mostrar, 
rendeu o que se rende, 
rendeira fez ao mostrar.

Dar ao trabalho o suor, 
dar o quentinho ao menor, 
diminutivo sem dó, 
do vingativo, o pó.

Está feliz no que faz, sorri do que traz, pedi, quer mais, mas... Enfim se vai, costurando, rendeira, rezadeira, algum muito capaz. 

(João Batista Jeremias Junior)


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