quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Sombra

'' Passa, nem percebo, vulto negro que segue e me segura.
Me gruda em corpo presente, solta quando na luz é volvente.
Busca refugio diante da sombra fresca, se abastece da luz do sol.
É o que carrego sem perceber, quando percebo é maior, ou menor que você.
Ângulos que mal sei de onde formam, de noite não sei se dormem, ou se me enforcam.
Tem todas as formas já pensadas, tem o que em mim adora, e se adorar é sua arte, me seguir é sua face.
Digo como se fosse, minh'alma amiga. ''

(João Batista Jeremias Junior)


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Meu abraço.

'' Meu braço em seus abraços, 
perdido em tempo e espaço,
 jogo no ar o entrelaço,
 juntamente com a vontade de morder e lhe deixar em pedaços.

Vento escaço e mordido, 
voltado ao longo riso, 
que de tanto furtado foi, 
ao meu ver nada é permitido.

Meu braço em seu traço, 
puxando forte os lábios, 
quanto o meu pedido de amigo, 
me dobro em laços.

Chuva que penetra na alma, 
reserva no canto da boca,
um pouco de choro, 
um pouco de lagrima.

Meu braço no seu pescoço perfurando a alma, 
em nada que lhe peço,
 justamente o que quero é a sua calma.

Sol bate, por fim o alívio, 
divino o soprar das nuvens nos cabelos, 
retratando de novo meu vicio.

Meu braço nas suas pernas, 
não deixando move-las,
 disposto a te amar para sempre, 
tento não rete-las. ''

(João Batista Jeremias Junior)