sexta-feira, 27 de abril de 2012

Se existisse...

'' Se sinto presença exemplar, vigoro o que sinto, e sinto te amar.
Se amo por fora, por dentro revigora, o que é importante lembrar.
Se do tormento lhe tiro, em meu abrigo lhe boto, sem mensurar.
Se no caminhar os olhares cruzarem, vou ao seu encontro e bem alto gritar.

Se eu vejo você passar frio, dou nó entrelinhas e lhe aqueço com um só fio.
Se não lhe sinto por perto, nada correto, eu querer te ver a mil.
Se não lhe vejo de um jeito, estufo o peito, até ficar azul anil.
Se não está comigo, como posso em meus próprios braços, sentir o arrepio.

Se meu caminho for torto, quero do seu abraço, um caminho zeloso.
Se minha vida for chata, quero que consiga, que eu seja seu esposo.
Se faltar amor, quero que me bata ardidamente e me pegue pelo pescoço.
Se um dia faltar água, mate sua sede, na minha saliva em poço.

Se você existisse para mim, eu não seria triste.
Se você sorrisse para mim, eu não seria triste.
Se você chorasse para mim, eu não seria triste.
Se você existisse... Eu seria louco por você, acredite! ''

(João Batista Jeremias Junior)



quinta-feira, 19 de abril de 2012

Baú de Brinquedos

'' Guardo no meu baú de brinquedos, dor, solidão, e uma flor, que foi jogada quando tudo acabou.
Voltei novamente ao lar dos lares, voltados em outros ares, fui denigrindo olhares.
Guardo juntamente das vestimentas rasgadas, choro em lata, do perfume que ma mata.
Vejo desejo, e ao mesmo tempo bocejo, quando nada festejo nem despeito.
Guardo na palavra o simples olhar, se quero vingar ou estar, amar ou morrer, brigar ou tentar.
Volto da tormenta, como um furacão que não aguenta, solidão tremenda.
Guardo no meu baú de brinquedos, junto a flor que te dei, a vida que um dia terei.
Guardo rancorosamente tudo que um dia foi vivido, quero reciclar tudo que foi ouvido e novamente fabricar, novos sentimentos sofridos.
Guardo no meu baú de brinquedos, você! Guardo como se nada pudesse ver, sentir, ter ou pedir, não dou à ninguém. Guardo no baú de brinquedos, você, meu bem! ''

(João Batista Jeremias Junior)

terça-feira, 3 de abril de 2012

Eu tô

'' Tô procurando Os dias mais longos e tristes, 
costumando deixar para traz os dois lados pendentes.

Tô esperando a esperança, 
e ela me esperando na janta, 
sobremesa? Nem tanta!

Tô no aguardo da rotina final, 
sempre me pedindo dinheiro, 
um real, qualquer um, 
qualquer tal.

Tô precisando de alguem que goste das minhas loucuras, 
sem curas, 
sem ditaduras, 
só gostando da minha altura, 
toda crua.

Tô precisando de humanos do meu lado, 
não pessoas, cujo descalças, 
fazem pouco do meu caso.

Tô querendo pouco do muito, 
e muito do pouco, 
bastante de tantos, 
e nem tanto dos outros.

Tô precisando viver mais, 
deixar pra traz, o que traz, 
o que não vem mais, 
quero tudo em paz.

Tô querendo perdoar dores, 
descobrir sabores, 
tentar amores, 
gastar valores.

Tô precisando tanto, 
quanto tanto precisa de mais, 
e que de mais, precisa de muito mais, 
sem mais!

Tô pouco preocupado com quem escapa, 
muito entusiasmado com quem caça, 
e feliz por que busca a água, 
que aqui é escassa.

Tô procurando chuva em meio o sol, 
e acordes em meio Dó, 
tô sentindo a lua viva, 
que no mar vem dar um nó.

Tô procurando respirar, 
e sentir sem chorar, 
tô pensando em entender, 
e não olhar para traz.

Tô tentando tudo, só que nem tudo, é todo. E nem todo, é o mundo.'' 

(João Batista Jeremias Junior)